Samuel de Monteiro

Samuel Quintans, onde o Monteiro não é sobrenome é local de nascimento, veio a este mundo e foi registrado como Samuel Quintans, nascido em 16 de maio de 1970, na cidade de Monteiro (é claro), Estado da Paraíba. 

Filho de artista de circo e figurinista das boas, Creusa Quintans e do também poeta, repentista, artista, e tudo o mais que alguém possa imaginar José Geovaldo Gondim (Asa Branca do Ceará), de quem herdou o gosto e o dom pela poesia, rima e métrica. Também é neto de uma poetisa e de um repentista, por parte do velho Asa Branca. Do lado da mãe, teve o avô como bom exemplo de contador de histórias e causos.

Viveu pouco em Monteiro e por conta do espírito errático do pai, morou um pouco em cada canto. Foram mais de 10 cidades percorridas até os 20 anos de idade, quando fixou residência em Campinas (SP). Porém, foi da cidade de Monteiro, localizada no cariri paraibano que Samuel Quintans trouxe sua veia poética e inspiração para compor seus cordéis. 

Rimar aprendeu, desde cedo, nas brincadeiras e desafios com o velho “Asa Branca”. Os primeiros versos surgiram na escola, em comemoração pelo Dia do Índio, em abril de 1981, ou seja, quando tinha apenas 11 anos. As primeiras poesias mais elaboradas e sonetos foram escritos a partir dos 13 anos. É desta época o Soneto Exceção - que retratava uma postura mais rebelde com a própria poesia - com o qual participou de alguns prêmios, em concursos literários, onde as duas primeiras estrofes falavam assim:

Do mundo abstrato de um louco
Arranco à força, o dom da escrita.
Meu corpo vai assumindo pouco a pouco
Uma identidade que a mim mesmo, irrita.

Vou gritando, vou gritando, fico rouco
Não entendo ninguém me acredita
Será que eles pensam que sou louco?
Por isso então, que um por um me evita!

Com o passar dos anos, sua poesia foi amadurecendo e dentre tantos estilo, o cordel tornou-se um dos mais especiais. Uma forma de noticiar o dia-a-dia da maneira com se fazia antigamente, no sertão nordestino, atraia o poeta para este jeito popular de falar da vida e do próprio cordel, como podemos ver nos versos feitos para o cordel “Tempos Modernos” em parceria com o pai “Asa Branca”:
...Tudo era diferente
Cordel vendido da feira
Um cantador animado
Sentado numa cadeira
Fazia versos na hora
Tudo ali! Na brincadeira...

Mais adiante, sobre a impossibilidade de se comparar a modernidade com a época do auge do cordel, ele diz:
...Não se pode comparar
O antigo com o agora
Nem parafuso com porca
Nem lá dentro com lá fora
Nem cabrito com jumento
Nem chegar, com ir embora...

Samuel Quintans, poeta da cidade grande escreveu mais de 20 cordéis, alguns destes em parceira com Asa Branca e tem em seu acervo poético, algo em torno de 500 poesias escritas entre sonetos, poesia moderna e poesia popular. Também amante da prosa, mantém um blog pessoal de nome “Sempre tem algo acontecendo” cuja proposta é levar um pouco de reflexão e poesia ao cotidiano. O blog está no ar, desde outubro de 2008, contando com mais de 50 mil acessos desde seu início.